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Profissionais com capacete analisam um projeto em um ambiente industrial
Foto: ThisIsEngineering / Pexels

Case da semana · Recuperação extrajudicial

Crédito caro e fábrica atrasada. O que a crise da Carbon ensina ao dono.

A Carbon cresceu 45% num ano e mesmo assim precisou renegociar R$ 371,5 milhões, porque o dinheiro que financiou o crescimento vencia antes do caixa que o crescimento gerava.

Em uma frase: a Carbon cresceu 45% num ano e mesmo assim precisou renegociar R$ 371,5 milhões, porque o dinheiro que financiou o crescimento vencia antes do caixa que o crescimento gerava.

O fato

A Carbon, blindadora de veículos com sede em Barueri (SP), protocolou no início de outubro um pedido de recuperação extrajudicial na Justiça de São Paulo. O plano envolve três empresas do grupo (C Blindados, Opera Glass e Vertco) e soma R$ 371,47 milhões em créditos. A receita líquida tinha passado de R$ 465 milhões em 2024 para R$ 673 milhões em 2025.

Os números do próprio plano contam a história. O custo médio da dívida chegou a 22% ao ano. Nos 12 meses seguintes venciam R$ 139 milhões, para uma geração de caixa prevista de R$ 52 milhões. Bancos, financeiras e fundos de recebíveis (FIDCs) concentram cerca de R$ 315,6 milhões, perto de 85% do total. A empresa busca levantar entre R$ 60 milhões e R$ 100 milhões em dinheiro novo.

A regra que decidiu o formato

Recuperação extrajudicial é uma renegociação feita fora do processo e levada ao juiz só para homologar. Para obrigar todos os credores de uma classe, o plano precisa da adesão de mais da metade dos créditos dessa classe, medida pelo valor e não pelo número de credores (Lei 11.101/2005, art. 163). Desde 2020, dá para protocolar com um terço e correr atrás do resto (art. 163, § 7º). A Carbon entrou com 47,63% de adesão, acima do mínimo para pedir e abaixo da maioria para aprovar.

Na prática, quando a dívida está concentrada em poucos credores grandes, dois ou três bancos decidem o destino da empresa. Faltava, por exemplo, a adesão de Banco Digimais e Banco do Brasil, que somam R$ 97,1 milhões.

O que o dono leva para casa

  1. Prazo da dívida precisa casar com prazo do retorno. Fábrica e expansão dão retorno em anos. Crédito de capital de giro e antecipação de recebíveis vencem em meses.
  2. Crescer consome caixa. Mais venda exige mais estoque, mais gente e mais prazo para o cliente. Faturamento recorde não paga parcela.
  3. Credor concentrado é poder concentrado. Quanto mais a dívida está na mão de poucos, mais a renegociação depende do humor deles.

As cláusulas para conferir no seu financiamento

Não sabemos o que dizem os contratos da Carbon. Mas estas são as cláusulas que costumam decidir crises assim, e vale procurá-las nos seus:

  • Vencimento antecipado e vencimento cruzado: um atraso num contrato pode fazer vencer todos os outros de uma vez.
  • Cessão fiduciária de recebíveis: o banco que tem seus recebíveis em garantia fica fora da recuperação judicial (Lei 11.101, art. 49, § 3º) e não negocia junto com os demais.
  • Aval dos sócios: a renegociação da empresa não apaga a garantia pessoal que você deu.
  • Covenants financeiros: metas de endividamento que, se furadas, liberam o banco para cobrar tudo.

Fontes: Capital Aberto · BNews SP, perfil da Carbon · Economic News Brasil · Lei 11.101/2005

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Foto: Reprodução / Instagram @marisaad
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